Ter dúvida é uma grande dádiva. Uma das maiores que se pode conseguir. A dúvida, se vista como realmente é, reflete nada menos que a possibilidade de escolha, algo que tem uma importância imensurável, pois remete a outro ponto crucial: liberdade. Claro que pode-se dizer que é uma liberdade limitada, já que não se pode escolher algo que não esteja entre as alternativas dadas. Porém, em boa parte dos casos, as alternativas não são simplesmente colocadas na sua frente, como numa prova de testes, mas devem ser criadas, e essa criação será baseada na personalidade da própria pessoa, ou seja, no fim das contas, a nossa maior limitação somos nós mesmos. Certamente inúmeros outros limites existem, mas muitos deles seriam derrubados não fosse a obscuridade da nossa visão.
Voltando à questão da dúvida, devo dizer que, muito embora ela tenha o potencial de levar consigo sua paz de espírito e algumas noites de sono, acredito ser muito saudável obrigá-la a estar presente na sua vida, em praticamente todos os aspectos. Não generalizo totalmente porque em certas partes da vida a segurança é muito importante, sendo esta, no sentido aqui utilizado, uma inimiga da dúvida, o que não quer dizer que ela - a dúvida - não existe, mas que saná-la, nesses casos, é prioridade máxima. Excetuados esses casos específicos, reforço a necessidade da dúvida.
Sempre que uma surge em nossa mente, temos a chance única de avaliar duas ou mais situações e escolher a melhor delas. Esse tempo que gastamos pensando sobre as possibilidades é muito útil, não apenas no processo de escolha em si, mas de forma geral, porque nos faz conhecer mais sobre nós mesmos.
Por isso sempre que passo por um momento de muita tranqüilidade já acho que há algo estranho. É bom dar um tempo às vezes, mas a dúvida logo volta...
Boa semana a todos!
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6 comentários:
Algumas vezes a dúvida não remete a um leque de escolhas limitadas ou ilimitadas, mas acho interessante e coeso pensar que muitas das escolhas se dão pelas oportunidades e situações que criamos - ou até as que raramente caem no nosso colo - e ao mesmo tempo, sinto tremores por pensar que sendo como sou, como nasci e cresci, estou fadado a criar menos oportunidades, limitando minhas escolhas e sucumbindo num mundo para o qual não fui feito.
Não se trata de escolher entre me entregar ou resistir e lutar, mas da essência que o faz sentir-se quase como uma espécie em extinção, a ser extinta por si mesma por conta de todo resto.
Contraditório, mas vejo algum sentido nisso...
Creio que vivemos da duvida. Algo tao fundamental para nosso 'bioma pessoal' quanto a água. O grande problema e talvez limitaçãoes nao estão nas alternativas, e sim na resposta certa. Prestar atenção para tentar alcançar algo que no minimo desconhecemos, nos torna tao frageis e vulneraveis ao desespero. Malditas dúvidas. Tenho que perder a mania de buscar por respostas que já existem.
Voce escreve intenssamente bem!
é uma pena não liberarem as "clicadas" aqui no trampo, ficarei com a dúvida de quanto isso renderia pra você já que me logo umas 3 vezes em algumas máquinas...
"Penso, logo existo", "duvido de tudo sistematicamente", "cada escolha, uma renuncia".
Curti o post, não tenho o que acrescentar, então me oontento em admirar.
Muito bom!
Grande sacanagem, agora que consegui entrar na net MSN e ORKUT nao abrem ¬¬
Qualquer coisa eu vou estar por aqui *:
É... mas, "nossas dúvidas são traidoras e nos fazem perder o bem que poderíamos conquistar, se não fosse o medo de tentar."
PARABÉNS pelo blog, Vitor! e ta na hora de mais posts aqui pra gente ler, né?
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