sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A Terra vai mesmo esquentar?

Aproveitando a brecha aberta pelo post anterior, vou falar sobre o meio ambiente. Há quanto tempo e com que enorme freqüência ouvimos falar sobre aquecimento global, não é mesmo? A todo instantes são novas informações que chegam até nós e que parecem não deixar dúvidas quanto ao nosso papel nesse fenômeno aterrador.
Pois é, mas isso não passa de um lado da história. E o outro lado nunca é comentado. Um dos princípios maiores das ciências, a abertura a debates e confrontação de dados obtidos através de experimentos e observações, não está sendo aplicado nesse caso, o que é preocupante. O problema é que o aquecimento global virou uma grande jogada política e de marketing. Grandes empresas ganham dinheiro ao convencerem seus clientes que estão ajudando o planeta ao comprarem seus produtos com emissão
"zero" de carbono, por exemplo. Dessa forma fica difícil abrir espaço para cientistas que têm teorias opostas, dizendo até que a Terra sofrerá um esfriamento, não aquecimento, pois envolveria grandes questões econômicas, e dinheiro é poder. Outro grande problema é que toda essa grande propraganda e pressão acabam coibindo muitos cientistas de tocarem pesquisas que possam evidenciar qualquer coisa que não um cenário de aquecimento e, especialmente, de participação ativa do ser humano no processo, seja por falta de patrocínio, seja pela possibilidade de perder créditos na comunidade científica.
Mas nem todos se calam. Recentemente foi entregue uma carta ao ministro da Ciência e da Tecnologia
, Sérgio Rezende, pedindo para que ele participasse de seminários sobre o assunto, objetivando trazer a público a discussão. Isso é especialmente importante no Brasil porque a população confunde algumas coisas. Nas palavras de Luis Carlos Molion, um dos pesquisadores que assina a carta ao ministro: "Não se deve confundir conservação - por exemplo, a necessidade de frear o desmatamento na Amazônia - com aquecimento global. Não importa se o clima do globo aquece ou resfria, a conservação ambiental é uma necessidade para que as próximas gerações possam desfrutar das mesmas riquezas naturais que nós temos hoje".

Abraço,
Até mais

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Grande tio Ben!

Em uma passagem de seu célebre livro A origem das espécies, Charles Darwin diz que "[...] os marimbondos (ou vespas) são indispensáveis para a fertilização do amor-perfeito (Viola tricolor), uma vez que essa flor não é visitada por outros tipos de abelhas. [...] O número de marimbondos existentes em uma área depende muito do número de ratos silvestres, uma vez que esses animais destroem os favos e ninhos das abelhas. [...] Os ratos, por sua vez, têm sua quantidade determinada em grande parte (como todos sabem) pelo número de gatos existentes no local. Por isso faz sentido julgar que a presença maciça de gatos em um local pode determinar ou não a presença abundante de certas plantas em função de sua influência direta sobre o número de ratos e indireta sobre o das abelhas [e dos marimbondos]!".
Por que eu escrevi isso? Achei incrível como um exemplo simples consegue demonstrar a complexidade e beleza da natureza. O equilíbrio que se mantém é fantástico e tênue, marcado por uma competição acirrada pela sobrevivência.
Essa fragilidade aparente leva muitos a pensar que as mudanças que nós, humanos, fazemos destroem o planeta. Eu discordo desse ponto de vista. Acredito que há uma destruição, mas não é do planeta em si. A Terra é um sistema do qual fazemos parte, e somos uma parte considerável: a que produz mudanças drásticas de forma mais rápida. Isso pode causar a destruição de muitas formas de vida (inclusive a nossa), mas está longe de colocar todo o sistema em risco, porque ele, como é característico de qualquer sistema, tende ao equilíbrio. Não sou nem um pouco a favor de dizimar formas de vida, especialmente porque isso pode levar o sistema a um novo tipo de equilíbrio para o qual não estamos preparados, o que nos extingüiria. O alerta deve ser dado, na minha opinião, exatamente por isso. Claro que preservar outras espécies é um motivo justo (sou um amante da natureza), mas as pessoas precisam estar cientes ao menos de que elas mesmas correm risco ao não pensarem muito na forma como tratam o meio ambiente. Se somos a parte do sistema que mais tem poder de modificá-lo, então precisamos aprender com o tio Ben: "grandes poderes trazem grandes responsabilidades".

Um abraço a todos

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Diferenças de tratamento

No último post, falei sobre a gratuidade do transporte para idosos e isso me fez pensar sobre assuntos relacionados. Ou melhor, voltar a pensar, porque esse tipo de coisa de vez em quando surge na minha mente.
No fundo o que discuto mesmo é a questão da diferença de tratamento. Entre as tantas existentes, se destaca a que há entre os sexos.
O mundo sempre foi machista, mas há algum tempo o movimento feminista tem conseguido causar enormes mudanças, revoluções mesmo. Isso é visível e não acho ruim, pelo contrário. Mas se as mulheres lutam por direitos iguais, não é injusto pensar em deveres iguais também. Não podemos cometer o mesmo erro novamente e apenas inverter as posições. Porém essa questão geralmente é levada com extremismo pelos dois lados e nunca é discutida racionalmente. Como na maior parte das discussões, ambos entram para "ganhá-la", não para chegar a um consenso. É claro que apenas palavras não mudam as coisas, mas são o princípio, e, se nem isso funciona, então temos um problema. Um outro erro que aparentemente é bastante comum é pensar-se em igualdade absoluta. Isso não existe, somos diferentes tanto como grupos (masculino e feminino) quanto como indivíduos. O objetivo então passa a ser encontrar o equilíbrio para satisfazer o máximo possível todos os envolvidos. E tenho motivos pra acreditar que não é tão difícil quanto parece.
Apesar de eu ter reduzido os comentários a um problema específico, acho que, fazendo pequenas adaptações, o que foi dito pode ser usado para qualquer caso análogo.

Aproveito o ensejo para reforçar os meus protestos de elevada estima e distinta consideração.
Termos em que
Digo até logo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Transporte gratuito?

Um caso envolvendo um idoso (estou politicamente correto, han?) me chamou a atenção essa semana. Na verdade, nem é um caso, foi apenas uma coisa que ele falou, mas vamos continuar com essa classificação. Aconteceu num ônibus lotado, enquanto eu voltava do trabalho para casa. Num certo momento, uma moça se levantou para descer; o idoso em questão aproveitou a oportunidade e sentou no lugar recentemente vago. Não sei por qual motivo, talvez o cara tenha olhado feio ou dito alguma coisa que não ouvi, porém nada confirmado, o velho dirigiu-se para um rapaz: "Você não quer sentar? Não é justo, eu não pago passagem"; a oferta foi recusada, como deve-se esperar.
Mas será que se deve mesmo? O velho está certo, é injusto que alguém que não pague passagem viaje sentado enquanto o outro que paga vai de pé. Não intento dizer que idosos devem viajar de pé, mas, sim, que não vejo explicação para a gratuidade do transporte público para eles. Salvo exceções, são pessoas como quaisquer outras, que têm renda através da aposentadoria. Só que eles não têm obrigações com estudo ou trabalho (ou, no caso daqueles que trabalham, têm direito a vale-transporte). Por terem condições de pagar e pela ausência de motivos para não pagar, não consigo entender essa gratuidade. Alguém pode dizer que a grana da aposentadoria não dá nem pra garantir a sobrevivência direito. Okay. Mas e o que dizer do salário de grande parte dos trabalhadores? Há também outras coisas a considerar, como o maior gasto com medicamentos e menor possibilidades de ascensão financeira dos mais velhos, e eu as entendo. Só que o transporte coletivo é deficiente demais para comportar o não-pagamento e ainda prioridade para sentar dos idosos. Talvez fosse o caso de eles pagarem meia, como os estudantes, ou a criação de um tipo de rodízio, para que pagassem passagem apenas em momentos de pico, mantendo a gratuidade no resto do dia. Ao meu ver, seria mais justo.

Sem mais,
See you when I see you