domingo, 7 de setembro de 2008

Altruísmo: uma forma charmosa de egoísmo

Nunca demorei tanto para postar alguma coisa aqui. Não foi falta do que escrever, mas uma parcial falta de tempo aliada a um desânimo nas horas em que eu o tinha.
Há semanas - talvez meses - pensava em disponibilizar aqui algo que escrevi em meados de agosto ou setembro do ano passado. Vou aproveitar agora, já que estamos vivendo as comemorações de um ano do texto, para trazê-lo a público. E, ao menos pelo que presencio diariamente, trata-se de uma produção atemporal, sendo aplicável à época em que a imaginei, a todo período anterior que consegui analisar, e a tudo que aconteceu depois. Segue abaixo uma versão revisada:
"Estava eu lendo Nietzsche quando me deparei com questões sobre altruísmo e egoísmo. Por minhas experiências e reflexões, auxiliado pela lógica, sou capaz de afirmar que o altruísmo inexiste. Com certeza muitos não conseguem enxergar essa verdade - assim como inúmeras outras - mesmo que ela esteja escancarada na sua frente. Não que esteja realmente, ou necessariamente, mas se estivesse ainda assim haveria os que não podem e, o que é mais lamentável, os que não querem enxergá-la.
A verdade é que o altruísmo se resume ao que se pode chamar de "egoísmo moralmente aceitável". É o conjunto de atitudes tomadas por um interesse sutil, talvez até pequeno, mas inevitavelmente presente; e ainda que não seja insignificante o bastante para passar despercebido, se for considerado justo pela sociedade, fará com que o egoísmo mude de nome, vestindo uma roupa mais bonita e tornando-se admirável.
Enganam-se os que imaginam que isto seja uma crítica às ações ditas altruístas. É uma crítica, sim, mas aos que deixam aos outros a tarefa de julgar a qualidade e justiça de seus interesses, e também a esses outros, que se acham em posição para executar tais julgamentos senão para seu próprio aprendizado e crescimento."
Acredito que este texto é importante porque pode servir como base para futuras postagens, já que vários assuntos de grande valia se relacionam a ele.

Um abraço a todos
Estou de volta (espero)

domingo, 29 de junho de 2008

A dúvida

Ter dúvida é uma grande dádiva. Uma das maiores que se pode conseguir. A dúvida, se vista como realmente é, reflete nada menos que a possibilidade de escolha, algo que tem uma importância imensurável, pois remete a outro ponto crucial: liberdade. Claro que pode-se dizer que é uma liberdade limitada, já que não se pode escolher algo que não esteja entre as alternativas dadas. Porém, em boa parte dos casos, as alternativas não são simplesmente colocadas na sua frente, como numa prova de testes, mas devem ser criadas, e essa criação será baseada na personalidade da própria pessoa, ou seja, no fim das contas, a nossa maior limitação somos nós mesmos. Certamente inúmeros outros limites existem, mas muitos deles seriam derrubados não fosse a obscuridade da nossa visão.
Voltando à questão da dúvida, devo dizer que, muito embora ela tenha o potencial de levar consigo sua paz de espírito e algumas noites de sono, acredito ser muito saudável obrigá-la a estar presente na sua vida, em praticamente todos os aspectos. Não generalizo totalmente porque em certas partes da vida a segurança é muito importante, sendo esta, no sentido aqui utilizado, uma inimiga da dúvida, o que não quer dizer que ela - a dúvida - não existe, mas que saná-la, nesses casos, é prioridade máxima. Excetuados esses casos específicos, reforço a necessidade da dúvida.
Sempre que uma surge em nossa mente, temos a chance única de avaliar duas ou mais situações e escolher a melhor delas. Esse tempo que gastamos pensando sobre as possibilidades é muito útil, não apenas no processo de escolha em si, mas de forma geral, porque nos faz conhecer mais sobre nós mesmos.
Por isso sempre que passo por um momento de muita tranqüilidade já acho que há algo estranho. É bom dar um tempo às vezes, mas a dúvida logo volta...

Boa semana a todos!

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A Amazônia é nossa! Por enquanto...

Caramba! Nunca deixei passar tanto tempo entre duas postagens... Mais de um mês! Realmente tenho tido pouco tempo pra me dedicar a este blog. Mas, enfim, estou escrevendo novamente.
Há meses ou anos atrás, não sei com certeza, havia um hoax que circulava pela internet com imagens de livros estadunidenses de Geografia que mostravam a floresta amazônica como sendo território internacional. Na época, vários sites respeitados daqui mesmo do Brasil mostraram que aquilo não tinha fundamento, não existiam realmente aqueles livros.
Há algumas semanas, porém, no dia 18 de maio, li uma reportagem do G1 que comentava uma outra, do New York Times, intitulada De quem é a Amazônia, afinal?, a qual falava sobre uma certa idéia que tem ganhado força no plano político mundial e que deixa a maior parte dos brasileiros receosos: de que a Amazônia não é patrimônio exclusivo de país algum.
Vários fatores contribuem para o interesse internacional sobre a floresta, seja pela biodiversidade, seja pela importância em assuntos ligados a mudanças climáticas. E certamente o descaso dos brasileiros contribui para que os grandes líderes globais venham a conseguir atingir seus objetivos, até porque cria um certo álibi: se nós não conseguimos aproveitar (e ainda destruímos) algo tão importante, por que não permitir que outros tentem fazer um trabalho melhor? Atualmente pode parecer meio extremista, mas, dentro de alguns anos, dependendo da situação mundial, argumentos como esse podem ser relevantes e a pressão sobre o governo brasileiro pode ser tão grande que resistir poderia trazer mais problemas do que permitir a exploração da floresta.
Mas nada disso vai acontecer se o governo e a população mudarem a forma de agir. Políticas de incentivo a estudos na área não são muito difíceis de serem colocadas em prática e, além de ajudarem a salvar a floresta e a criar modos de explorá-la com racionalidade, ainda contribuem para o desenvolvimento científico; também para salvar a floresta, é necessário desenvolver formas de coibir a exploração descontrolada, aumentando e melhorando a fiscalização e tornando mais rígidas as penas para quem o fizer, por exemplo. Essa parte cabe ao governo. E à população fica o dever de cobrar e fiscalizar essas atitudes.


Um abraço
Até mais

domingo, 4 de maio de 2008

Feliz dia do comércio!

Estamos a exatamente uma semana do dia das mães. O que era pra ser um dia para manifestar gratidão, amor, carinho e demais sentimentos positivos por aquela que nos criou virou apenas mais uma data comercial. Quer dizer, apenas não é muito correto, pois trata-se da segunda principal data comercial do ano, perdendo só para o natal. Na verdade, pelo que andei lendo, funciona até como uma prévia para ele, evitando que a indústria perca dinheiro, pois, pelo resultado das vendas agora, eles conseguem calcular a produção necessária para o fim de ano. Aliás, o natal também não passa de uma data comercial, acompanhado do dia dos pais, páscoa, dia dos namorados... Alguém impõe que determinado dia é para se homenagear certa pessoa e toda a sociedade aceita. E não basta uma palavra ou um gesto, você precisa dar um presente, algo material!
A situação se agravou tanto que quem não dá o presente pode ser mal visto e quem não recebe muitas vezes fica triste ou se sente desprezado. Virou mesmo uma obrigação, o que vai contra a idéia original do ato de presentear, que tem duas características essenciais: ser algo espontâneo e surpreender aquele que recebe. Como acontece freqüentemente, o dinheiro mostra seu poder de corromper valores e atitudes, poder este possível apenas pela ignorância e alienação das massas...

Boa semana a todos
Até mais

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Chamam isso de diversão...

Durante a última semana houve na minha cidade um rodeio. Antigamente eu só ouvia falar desse tipo de coisa ocorrendo no interior, mas parece que descobriram que dá muito dinheiro maltratar os animais. Agora até em uma das maiores cidades da grande São Paulo há essa barbaridade, e o pior é que o povo vai numa boa.
Nesse ponto é interessante comentar algo: todas as pessoas que conheço que foram ao rodeio o fizeram por causa dos shows que rolaram junto com ele. Pra mim isso não ameniza a situação, é como o capitão de um navio cargueiro dizer que não produz as armas, apenas as transporta ao país onde há a guerra. Ir aos shows é uma forma de estimular o evento a acontecer mais vezes.
Os defensores do rodeio dizem que se trata de um fenômeno cultural. Até o momento não entendi qual é a lógica do argumento. Em muitas tribos indígenas do Brasil, o canibalismo fazia parte da cultura. Tenho dúvidas se a prática seria aceitável hoje em dia, e isso foi apenas um dos muitos exemplos possíveis.
Sendo ou não um traço cultural, acho que o ser humano deveria usar um pouco mais a sua capacidade de raciocinar e refletir sobre quais práticas devem ser mantidas e quais não. Qual a graça de ver um animal pulando de dor tentando se livrar do que o está ferindo? É ridículo e cruel. Se você quer se divertir com um animal, adote um cachorro ou um gato e passe bons momentos com ele. Já se gosta de violência, vá assistir a lutas livres, torneios de boxe, de artes marciais e afins, ao menos aí os participantes estão presentes por espontânea vontade.

Fiquem bem
Até mais

terça-feira, 15 de abril de 2008

A beleza da verdade

O trecho a seguir pertence ao livro Desvendando o arco-íris, de Richard Dawkins, um dos maiores biólogos do planeta. É uma das coisas mais bonitas que já li, pois une a profundidade da mensagem com a precisão científica. Dawkins mostra que não é preciso fugir da realidade para sensibilizar as pessoas e que a Ciência não é necessariamente fria. Sem mais delongas, aí está o trecho: "Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto de pessoas possíveis permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos...".
Espero que tenham apreciado. Haverá, certamente, outras postagens a respeito de textos de Richard Dawkins e temas relacionados, esta foi apenas a primeira.

Um grande abraço
Até breve

sábado, 12 de abril de 2008

Terceirismo?

Não sei se sou o único que notou isso, mas ao menos pra todos que falei não pareceu algo muito interessante... Enfim, o fato é que parece haver, no português falado brasileiro, uma tendência à terceira pessoa (ao menos em algumas regiões). Excetuando-se o "eu", todas as outras pessoas já tem alguma variante pra utilizá-la, especialmente a do singular. O uso do "você" no lugar do "tu" já é consagrado em São Paulo (imagino que em outros lugares também) e, mesmo onde o "tu" ainda persiste, muitas vezes a conjugação correta não o acompanha, sendo substituída pela da terceira pessoa. O "nós", novamente ao menos em São Paulo, é usualmente substituído por "a gente", que também força o uso da terceira pessoa do singular. O "vós" então... É impossível alguém usá-lo no cotidiano estando com todas as faculdades mentais em bom estado; talvez por isso seja bastante comum nos textos bíblicos.
Infelizmente não tenho muitas informações a respeito de outras regiões do país para saber se é um fenômeno nacional ou apenas regional, o que, claro, não o torna menos curioso - pelo menos para mim. Infelizmente também não conheço estudos que pretendam explicar o motivo dessa tendência. O fato é que ela existe e, ao contrário do que muitos devem estar achando, não é inútil entendê-la, já que o princípio que a causa pode ser o mesmo de outras mais relevantes para a Ciência.

A gente fica por aqui
Tschüss

domingo, 6 de abril de 2008

Saneamento, um grande problema

Acabo de ler uma reportagem sobre a situação sanitária no mundo, especialmente na Índia, que tem a pior de todas: mais de 750 milhões de pessoas não têm acesso a esgoto encanado lá, e nas cidades em que há, em geral é muito precário. E o pior de tudo não é isso: a Índia é divida em castas, um sistema que impede a pessoa de progredir socialmente, pois a prende a uma posição determinada quando nasce (embora, segundo o que li, as coisas estejam menos rígidas atualmente), e cabe aos desafortunados que pertencem a certos subgrupos da casta mais baixa, conhecida como "os intocáveis", um trabalha popularmente chamado de scavenger, termo inglês usado originalmente para denominar animais que comem carniça. Os scavengers são pessoas que esvaziam fossas e desentopem bueiros, o que normalmente já não é muito agradável, mas, nesse caso, chega a ser desumano: eles não usam nenhum tipo de proteção para fazer o serviço, liralmente entram no monte de fezes e as pegam com as mãos, colocando-as em cestas que depois são carregadas sobre a cabeça; em épocas de muita chuva, esta dilui as fezes, que escorrem sobre o rosto da pessoa. E pra piorar ainda mais é preciso acrescentar que essa situação é levada com muita naturalidade pela sociedade indiana. Só pra citar, a base dessa divisão em castas é uma religião, o hinduísmo.
No Brasil, que é de maior interesse para nós, o quadro não é tão ruim, o que não significa que seja bom. Em 2000, mais da metade da população não tinha acesso à rede coletora de esgoto, por exemplo. Outro dado preocupante é que, apesar de o serviço de coleta de lixo estar bastante presente, a maioria das cidades despeja os resíduos a céu aberto e sem tratamento algum. Como se pode deduzir, os piores índices vêm das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste, e os melhores, da região Sudeste.
Para mais informações, veja links abaixo.
Um ponto que acho importante ressaltar é que esse descaso do ser humano faz com que a natureza sofra também. Não tratamos o meio ambiente com o zelo necessário nem mesmo à nossa sobrevivência. Como já falei anteriormente, essas nossas ações podem acabar com muitas formas de vida e mudar profundamente a paisagem, porém dificilmente vão causar danos irrecuperáveis ao planeta. Já a nossa própria espécie tem passado por maus momentos.

Fonte das informações e links relacionados:
Um abraço
Não reclamem mais dos seus empregos!

quinta-feira, 3 de abril de 2008

Problemas no blog

Devido a alguns probleminhas no blog, tive que migrar os posts a uma nova conta nessa última terça-feira. Em decorrência disso, os comentários deixados pelos visitantes foram perdidos; na verdade, "perdidos" não seria o termo correto, já que eles ainda estão presentes na conta antiga, porém não estão mais visíveis ao público. Peço desculpas àqueles que comentaram pelo ocorrido, se puderem (ou quiserem), comentem novamente naqueles ou nos futuros posts. Aproveitei a migração pra mudar o visual do blog, espero que gostem.

Um grande abraço

segunda-feira, 31 de março de 2008

Alegría

Há alguns dias tive a oportunidade de ver uma das coisas mais belas da minha vida: o espetáculo Alegría do Cirque du Soleil. Apesar do nome, como acredito que a maioria saiba, não se trata simplesmente de um circo. As apresentações dessa companhia são compostas de diferentes tipos de arte, não apenas circenses, e é isso que faz toda a diferença para torná-la a melhor do mundo. Ao invés de, como acontece nos outros circos, o artista simplesmente entrar, demonstrar suas habilidades e depois sair, dando lugar a outro que faz a mesma coisa, no caso do Cirque de Soleil há uma conexão entre as apresentações, uma história que conduz a trama, além da música, ao vivo, que dá um tempero diferenciado. A união perfeita entre circo, teatro, música e canto, isso sem falar da qualidade absoluta de produção e iluminação, criam uma das mais impressionantes demonstrações artísticas que existem. É indescritivelmente emocionante. Assista, nem que seja em DVD, e comprovará as minhas palavras.

Um grande abraço a todos
Até mais

domingo, 23 de março de 2008

De carro se chega mais rápido. Será?

Há algum tempo ouvi alguém comentando sobre uma reportagem que dizia que, até 2014, o trânsito da cidade de São Paulo vai entrar em colapso. Uns dias atrás, no ônibus, em meio a um congestionamento infernal, um passageiro conversava com o motorista e disse que centenas de automóveis são "emplacados" por dia na cidade. Eu, que atingi a maioridade há pouco mais de um ano, vejo muitos amigos querendo comprar um carro, o que está ficando cada vez mais fácil: há como parcelar em dezenas de meses a taxas de juros muito baixas.
Não sei exatamente em que ano ou década foi, mas o Brasil cometeu um erro grave quando decidiu optar por rodovias ao invés de ferrovias. Mais uma vez o governo sucumbiu à pressão de empresas transnacionais. Porém isso foi só o começo. Depois veio a propaganda e colocou o carro num outro nível, fazendo-o se transformar num sonho de consumo, algo que traz não apenas uma forma mais ágil e confortável de se locomover, mas um símbolo de poder e status social. O resultado é o que vemos nas ruas atualmente.
Talvez as coisas não sejam tão simples assim, entretanto não acho exagero imaginar que, caso houvesse a alternativa de se viajar em trens de qualidade e com conforto, sendo eles mais rápidos, certamente seriam preferência. Para as indústrias seria ainda melhor, já que o transporte rodoviário, usado atualmente, é muito mais caro. E, sendo bom pra indústria, certamente o povo iria se beneficiar indiretamente.
Outro ponto importante é a poluição gerada pelos automóveis. Não comento sobre aquecimento global porque não há provas nem mesmo de que isso esteja acontecendo ou vá acontecer (falei sobre isso numa postagem anterior), mas quanto à qualidade do ar não há discussão: carros a pioram, e muito.
Antes que fique alguma dúvida, quero dizer que não, não odeio carros, pelo contrário, gosto de coisas que trazem conforto, mas seu uso deve ser consciente. Qual a vantagem de ter um carro pra ficar preso todo os dias em congestionamentos que não acabam mais? Como já citei, o carro serve pra nos transportar com mais agilidade e conforto; num congestionamento não se vê nenhum dos dois. Claro, a maioria esmagadora dos automóveis contém apenas o motorista, sendo que seria possível haver mais 3 ou 4 pessoas, ocupando o mesmo espaço na rua (a respeito disso, vi um estudo que mostrava que um carro ocupa, proporcionalmente, 8 vezes mais espaço do que um ônibus).
Em muita cidades pelo mundo foram tomadas medidas para diminuir o volume do trânsito. Uma que acho interessante é a cobrança de uma espécie de pedágio, em determinados pontos da cidade, de carros com menos de 3 ocupantes. Além de estimular o uso racional desse meio de transporte, ainda contribui para aproximar as pessoas. Não é ótimo?

Um abraço

sábado, 15 de março de 2008

Egoísmo até após a morte?

Nossa! Faz tempo desde o último post. Dessa vez vou escrever sobre mais uma coisa que me ocorreu por causa do trabalho. Vamos lá...
Como acredito que já tenha falado, trabalho no fórum, e algumas vezes tenho que fazer carga de processos, ou seja, anotar no sistema que tal processo foi retirado do cartório, para os advogados, que, para tanto, apresentam a carteira da OAB. Eis que nesse documento há um campo que informa se a pessoa é ou não doadora de orgãos e tecidos. Tristemente, a maioria não é. Fico pensando num motivo para alguém não doar o que resta do seu corpo após a morte e não me vem outra coisa à mente a não ser crenças, religiões e outros tipos de fantasias. Uma pessoa racional e consciente certamente vai se propor a fazer essa doação post-mortem.
Também já ouvi falar de pessoas que acham que se forem doadoras abertamente - e especialmente se estiver escrito em algum lugar - poderão matá-las para tirar seus órgãos e doar pra outros. Parece-me um pensamento sem fundamento, já que o objetivo dos transplantes é salvar vidas, então matar alguém para isso seria um contra-senso. Além do que, mesmo que exista o risco de morrer para ter seus órgãos retirados, ele certamente é muito baixo, já que não se ouve falar de escândalos relacionados a isso. E mais: se é preciso matar gente saudável para doar os órgãos para outros é porque a maioria dos que morrem não permitiu a retirada dos seus. Se todo mundo se tornar doador, num futuro próximo, ao invés de ter gente pouco informada fantasiando a possibilidade de ser morta de repente, ouvir-se-á notícias de que há excesso de órgãos para doação. Mas para isso é preciso mudar a cabeça de muita gente, o que é bem difícil. Vou tentar fazer a minha parte com pessoas próximas. Faça você também a sua.

Um grande abraço a todos
Aproveitem o feriado, a única coisa boa que as religiões nos dam

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A Terra vai mesmo esquentar?

Aproveitando a brecha aberta pelo post anterior, vou falar sobre o meio ambiente. Há quanto tempo e com que enorme freqüência ouvimos falar sobre aquecimento global, não é mesmo? A todo instantes são novas informações que chegam até nós e que parecem não deixar dúvidas quanto ao nosso papel nesse fenômeno aterrador.
Pois é, mas isso não passa de um lado da história. E o outro lado nunca é comentado. Um dos princípios maiores das ciências, a abertura a debates e confrontação de dados obtidos através de experimentos e observações, não está sendo aplicado nesse caso, o que é preocupante. O problema é que o aquecimento global virou uma grande jogada política e de marketing. Grandes empresas ganham dinheiro ao convencerem seus clientes que estão ajudando o planeta ao comprarem seus produtos com emissão
"zero" de carbono, por exemplo. Dessa forma fica difícil abrir espaço para cientistas que têm teorias opostas, dizendo até que a Terra sofrerá um esfriamento, não aquecimento, pois envolveria grandes questões econômicas, e dinheiro é poder. Outro grande problema é que toda essa grande propraganda e pressão acabam coibindo muitos cientistas de tocarem pesquisas que possam evidenciar qualquer coisa que não um cenário de aquecimento e, especialmente, de participação ativa do ser humano no processo, seja por falta de patrocínio, seja pela possibilidade de perder créditos na comunidade científica.
Mas nem todos se calam. Recentemente foi entregue uma carta ao ministro da Ciência e da Tecnologia
, Sérgio Rezende, pedindo para que ele participasse de seminários sobre o assunto, objetivando trazer a público a discussão. Isso é especialmente importante no Brasil porque a população confunde algumas coisas. Nas palavras de Luis Carlos Molion, um dos pesquisadores que assina a carta ao ministro: "Não se deve confundir conservação - por exemplo, a necessidade de frear o desmatamento na Amazônia - com aquecimento global. Não importa se o clima do globo aquece ou resfria, a conservação ambiental é uma necessidade para que as próximas gerações possam desfrutar das mesmas riquezas naturais que nós temos hoje".

Abraço,
Até mais

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Grande tio Ben!

Em uma passagem de seu célebre livro A origem das espécies, Charles Darwin diz que "[...] os marimbondos (ou vespas) são indispensáveis para a fertilização do amor-perfeito (Viola tricolor), uma vez que essa flor não é visitada por outros tipos de abelhas. [...] O número de marimbondos existentes em uma área depende muito do número de ratos silvestres, uma vez que esses animais destroem os favos e ninhos das abelhas. [...] Os ratos, por sua vez, têm sua quantidade determinada em grande parte (como todos sabem) pelo número de gatos existentes no local. Por isso faz sentido julgar que a presença maciça de gatos em um local pode determinar ou não a presença abundante de certas plantas em função de sua influência direta sobre o número de ratos e indireta sobre o das abelhas [e dos marimbondos]!".
Por que eu escrevi isso? Achei incrível como um exemplo simples consegue demonstrar a complexidade e beleza da natureza. O equilíbrio que se mantém é fantástico e tênue, marcado por uma competição acirrada pela sobrevivência.
Essa fragilidade aparente leva muitos a pensar que as mudanças que nós, humanos, fazemos destroem o planeta. Eu discordo desse ponto de vista. Acredito que há uma destruição, mas não é do planeta em si. A Terra é um sistema do qual fazemos parte, e somos uma parte considerável: a que produz mudanças drásticas de forma mais rápida. Isso pode causar a destruição de muitas formas de vida (inclusive a nossa), mas está longe de colocar todo o sistema em risco, porque ele, como é característico de qualquer sistema, tende ao equilíbrio. Não sou nem um pouco a favor de dizimar formas de vida, especialmente porque isso pode levar o sistema a um novo tipo de equilíbrio para o qual não estamos preparados, o que nos extingüiria. O alerta deve ser dado, na minha opinião, exatamente por isso. Claro que preservar outras espécies é um motivo justo (sou um amante da natureza), mas as pessoas precisam estar cientes ao menos de que elas mesmas correm risco ao não pensarem muito na forma como tratam o meio ambiente. Se somos a parte do sistema que mais tem poder de modificá-lo, então precisamos aprender com o tio Ben: "grandes poderes trazem grandes responsabilidades".

Um abraço a todos

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Diferenças de tratamento

No último post, falei sobre a gratuidade do transporte para idosos e isso me fez pensar sobre assuntos relacionados. Ou melhor, voltar a pensar, porque esse tipo de coisa de vez em quando surge na minha mente.
No fundo o que discuto mesmo é a questão da diferença de tratamento. Entre as tantas existentes, se destaca a que há entre os sexos.
O mundo sempre foi machista, mas há algum tempo o movimento feminista tem conseguido causar enormes mudanças, revoluções mesmo. Isso é visível e não acho ruim, pelo contrário. Mas se as mulheres lutam por direitos iguais, não é injusto pensar em deveres iguais também. Não podemos cometer o mesmo erro novamente e apenas inverter as posições. Porém essa questão geralmente é levada com extremismo pelos dois lados e nunca é discutida racionalmente. Como na maior parte das discussões, ambos entram para "ganhá-la", não para chegar a um consenso. É claro que apenas palavras não mudam as coisas, mas são o princípio, e, se nem isso funciona, então temos um problema. Um outro erro que aparentemente é bastante comum é pensar-se em igualdade absoluta. Isso não existe, somos diferentes tanto como grupos (masculino e feminino) quanto como indivíduos. O objetivo então passa a ser encontrar o equilíbrio para satisfazer o máximo possível todos os envolvidos. E tenho motivos pra acreditar que não é tão difícil quanto parece.
Apesar de eu ter reduzido os comentários a um problema específico, acho que, fazendo pequenas adaptações, o que foi dito pode ser usado para qualquer caso análogo.

Aproveito o ensejo para reforçar os meus protestos de elevada estima e distinta consideração.
Termos em que
Digo até logo.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Transporte gratuito?

Um caso envolvendo um idoso (estou politicamente correto, han?) me chamou a atenção essa semana. Na verdade, nem é um caso, foi apenas uma coisa que ele falou, mas vamos continuar com essa classificação. Aconteceu num ônibus lotado, enquanto eu voltava do trabalho para casa. Num certo momento, uma moça se levantou para descer; o idoso em questão aproveitou a oportunidade e sentou no lugar recentemente vago. Não sei por qual motivo, talvez o cara tenha olhado feio ou dito alguma coisa que não ouvi, porém nada confirmado, o velho dirigiu-se para um rapaz: "Você não quer sentar? Não é justo, eu não pago passagem"; a oferta foi recusada, como deve-se esperar.
Mas será que se deve mesmo? O velho está certo, é injusto que alguém que não pague passagem viaje sentado enquanto o outro que paga vai de pé. Não intento dizer que idosos devem viajar de pé, mas, sim, que não vejo explicação para a gratuidade do transporte público para eles. Salvo exceções, são pessoas como quaisquer outras, que têm renda através da aposentadoria. Só que eles não têm obrigações com estudo ou trabalho (ou, no caso daqueles que trabalham, têm direito a vale-transporte). Por terem condições de pagar e pela ausência de motivos para não pagar, não consigo entender essa gratuidade. Alguém pode dizer que a grana da aposentadoria não dá nem pra garantir a sobrevivência direito. Okay. Mas e o que dizer do salário de grande parte dos trabalhadores? Há também outras coisas a considerar, como o maior gasto com medicamentos e menor possibilidades de ascensão financeira dos mais velhos, e eu as entendo. Só que o transporte coletivo é deficiente demais para comportar o não-pagamento e ainda prioridade para sentar dos idosos. Talvez fosse o caso de eles pagarem meia, como os estudantes, ou a criação de um tipo de rodízio, para que pagassem passagem apenas em momentos de pico, mantendo a gratuidade no resto do dia. Ao meu ver, seria mais justo.

Sem mais,
See you when I see you

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Fala aí, dotô!

Trabalho no fórum e, logicamente, o lugar é altamente freqüentado por advogados. Nada demais. O problema começa quando algum de meus colegas vai atender um deles perguntando "Qual o número do processo, doutor?". Doutor? Doutor?!?! Eu já sabia que existe essa estranha mania de se chamar esses profissionais de doutores, mas imaginava que fosse apenas por pessoas com instrução deficiente ou sob circunstâncias especiais. Não que seja correto nesses casos, mas ao menos pode-se dizer que é justificável. Só que a situação é bem pior, pessoas com bom nível de conhecimento e boa posição social também cometem o erro, e isso acontece a todo instante; chega-se ao cúmulo de forçar a utilização do título, como em "o doutor vai querer fazer carga?" (quando poderia ser dito "você vai querer fazer carga?"). Coisa parecida acontece com juízes, delegados, médicos, dentistas, veterinários...
A grande questão nisso tudo é: o que significa ser doutor? Vejamos o que a Wikipédia nos diz a respeito: "no meio acadêmico brasileiro [..] o título de doutor é oficialmente reservado apenas a pessoas que concluíram com sucesso um programa de
doutorado (também chamado "doutoramento"), o que normalmente requer no mínimo seis anos de estudo integral após o primeiro diploma de graduação, incluindo dois anos para a obtenção do grau de mestre. [...] Em geral se exige que o candidato ao doutorado acumule um número mínimo de créditos acadêmicos obtidos por aprovação em disciplinas de pós-graduação não contabilizadas previamente em um programa de mestrado. Aprovação em dois exames de proficiência em língua estrangeira, respectivamente em inglês e em um segundo idioma, e aprovação em um exame de qualificação de doutorado são também exigidas de todos os candidatos antes da defesa final da tese. [...] Como ocorre em outros países, exige-se no Brasil que a tese de doutorado contenha uma contribuição original que amplie, estenda ou revise significativamente o conhecimento atual existente na área.". Veja aqui o artigo na íntegra.
Depois disso, acho que fica claro o motivo da minha indignação.

Sem mais,
Até a próxima
, doutor leitor.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Primeiro post nessa porra!

Achou um tanto sem educação? Foda-se! A idéia desse primeiro post é mesmo essa. Estava lendo uma reportagem sobre palavrões e lá havia uma citação extremamente interesssante, com a qual concordo plenamente. Cá está: "Mais do que qualquer outra forma de linguagem, xingar recruta nossas faculdades de expressão ao máximo: o poder de combinação da sintaxe; a força evocativa da metáfora e a carga emocional das nossas atitudes, tanto as pensadas quanto impensadas". Pra ser mais foda que isso, só xingando ironicamente, como quando tá dando tudo errado e você diz "Caralho! Tá ficando bom essa porra, hein?".

Um abraço e vão pra puta que os pariu!
Até a próxima.