quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Fala aí, dotô!

Trabalho no fórum e, logicamente, o lugar é altamente freqüentado por advogados. Nada demais. O problema começa quando algum de meus colegas vai atender um deles perguntando "Qual o número do processo, doutor?". Doutor? Doutor?!?! Eu já sabia que existe essa estranha mania de se chamar esses profissionais de doutores, mas imaginava que fosse apenas por pessoas com instrução deficiente ou sob circunstâncias especiais. Não que seja correto nesses casos, mas ao menos pode-se dizer que é justificável. Só que a situação é bem pior, pessoas com bom nível de conhecimento e boa posição social também cometem o erro, e isso acontece a todo instante; chega-se ao cúmulo de forçar a utilização do título, como em "o doutor vai querer fazer carga?" (quando poderia ser dito "você vai querer fazer carga?"). Coisa parecida acontece com juízes, delegados, médicos, dentistas, veterinários...
A grande questão nisso tudo é: o que significa ser doutor? Vejamos o que a Wikipédia nos diz a respeito: "no meio acadêmico brasileiro [..] o título de doutor é oficialmente reservado apenas a pessoas que concluíram com sucesso um programa de
doutorado (também chamado "doutoramento"), o que normalmente requer no mínimo seis anos de estudo integral após o primeiro diploma de graduação, incluindo dois anos para a obtenção do grau de mestre. [...] Em geral se exige que o candidato ao doutorado acumule um número mínimo de créditos acadêmicos obtidos por aprovação em disciplinas de pós-graduação não contabilizadas previamente em um programa de mestrado. Aprovação em dois exames de proficiência em língua estrangeira, respectivamente em inglês e em um segundo idioma, e aprovação em um exame de qualificação de doutorado são também exigidas de todos os candidatos antes da defesa final da tese. [...] Como ocorre em outros países, exige-se no Brasil que a tese de doutorado contenha uma contribuição original que amplie, estenda ou revise significativamente o conhecimento atual existente na área.". Veja aqui o artigo na íntegra.
Depois disso, acho que fica claro o motivo da minha indignação.

Sem mais,
Até a próxima
, doutor leitor.

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