quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Grande tio Ben!

Em uma passagem de seu célebre livro A origem das espécies, Charles Darwin diz que "[...] os marimbondos (ou vespas) são indispensáveis para a fertilização do amor-perfeito (Viola tricolor), uma vez que essa flor não é visitada por outros tipos de abelhas. [...] O número de marimbondos existentes em uma área depende muito do número de ratos silvestres, uma vez que esses animais destroem os favos e ninhos das abelhas. [...] Os ratos, por sua vez, têm sua quantidade determinada em grande parte (como todos sabem) pelo número de gatos existentes no local. Por isso faz sentido julgar que a presença maciça de gatos em um local pode determinar ou não a presença abundante de certas plantas em função de sua influência direta sobre o número de ratos e indireta sobre o das abelhas [e dos marimbondos]!".
Por que eu escrevi isso? Achei incrível como um exemplo simples consegue demonstrar a complexidade e beleza da natureza. O equilíbrio que se mantém é fantástico e tênue, marcado por uma competição acirrada pela sobrevivência.
Essa fragilidade aparente leva muitos a pensar que as mudanças que nós, humanos, fazemos destroem o planeta. Eu discordo desse ponto de vista. Acredito que há uma destruição, mas não é do planeta em si. A Terra é um sistema do qual fazemos parte, e somos uma parte considerável: a que produz mudanças drásticas de forma mais rápida. Isso pode causar a destruição de muitas formas de vida (inclusive a nossa), mas está longe de colocar todo o sistema em risco, porque ele, como é característico de qualquer sistema, tende ao equilíbrio. Não sou nem um pouco a favor de dizimar formas de vida, especialmente porque isso pode levar o sistema a um novo tipo de equilíbrio para o qual não estamos preparados, o que nos extingüiria. O alerta deve ser dado, na minha opinião, exatamente por isso. Claro que preservar outras espécies é um motivo justo (sou um amante da natureza), mas as pessoas precisam estar cientes ao menos de que elas mesmas correm risco ao não pensarem muito na forma como tratam o meio ambiente. Se somos a parte do sistema que mais tem poder de modificá-lo, então precisamos aprender com o tio Ben: "grandes poderes trazem grandes responsabilidades".

Um abraço a todos

Um comentário:

Unknown disse...

Estou lendo agora "A Origem das Espécies", e acabei de passar pelo capítulo em que você mostrou nesta postagem. Eu nuneca haveria de pensar sobre essa relação entre os gatos e as plantas, no caso o amor-perfeito...