Já falei aqui sobre dúvida e escolha uma vez. Na ocasião, ressaltei a importância da primeira exatamente por nos levar à segunda, e uni isso com a ideia de liberdade. Desta vez, vou tentar me focar mais no aspecto da tomada de decisão em si, isto é, no processo de escolha.
A todo momento estamos fazendo escolhas e, muito embora algumas delas possam alterar radicalmente o rumo das coisas, em geral ignoramos todo o processo que nos leva até a ação final. Mas não é dessas práticas banais que vou falar neste momento.
O que quero discutir são as situações em que há mais de uma possibilidades, mas a escolha de uma elimina todas as outras. Não é necessário dizer que tendem ser as ocasiões mais difíceis, especialmente quando pessoas estão envolvidas e sentimentos influenciam fortemente.
A "eliminação de todas as outras possibilidades", quando se trata de um bem material, por mais dificultoso que venha a ser, em geral é mutável através de esforço próprio. Por exemplo: a escolha entre comprar uma casa ou investir o dinheiro em ações pode ser muito difícil de se fazer, e, se errada, pode causar enormes perdas; mas, ainda que demore anos, é perfeitamente possível consertar a situação.
Já quando estamos falando de pessoas, a coisa é diferente. Escolher a pessoa errada, seja para contratar pra trabalhar na sua empresa, seja para manter um relacionamento amoroso, pode ser irreparável. Quando se der conta do erro, aquela outra "possibilidade" pode já estar no concorrente ou casada com outra pessoa.
Claro que nenhum dos dois casos é agradável e desejado por alguém. Exatamente por isso é importante avaliar corretamente as possibilidades. Sentimentos podem ajudar nessa etapa, mas deve-se saber compreendê-los. É muito comum adiar a ação de uma decisão já tomada por questões emocionais e sociais, como quando um casal já sabe que seu relacionamento está destruído, mas insiste em mantê-lo por causa das "aparências".
Na verdade, o aspecto social é um fator tão relevante que frequentemente é priorizado em relação a todos os outros. Adequar-se aos padrões do grupo em que se está inserido é mais importante pra maioria das pessoas do que tentar buscar o que de fato se necessita naquele momento. Não sei se é aconselhável chamar isso de erro, pois ser excluído do grupo é desastroso para qualquer ser humano, porém basta olhar ao redor para notar o extremismo dessa prática.
O conflito se dá, na verdade, na fronteira entre os interesses direto e indireto. Explicando: enquanto as consequências sociais de se mudar a situação parecerem piores do que o mau-estar que mantê-la está causando, ela será mantida; a partir do momento que este quadro mudar, uma atitude pode ser esperada a qualquer momento. Isto torna claro o motivo de não raramente observarmos pessoas "explodindo" por problemas que já existem há muito tempo.
Apesar de todos só pensarem em proteger seus interesses, é notável a dificuldade da maioria em perceber quando uma estratégia já não está dando mais certo e a outra precisa ser usada. É possível que esteja aí o grande problema de escolha.
Chegando ao final desta postagem, percebo que talvez não tenha conseguido chegar ao objetivo proposto inicialmente. Talvez também não me tenha feito ser tão claro quanto gostaria. Espero, contudo, que sirva ao menos pra estimular um pouco de reflexão.
Abraço a todos
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Um comentário:
Jow, "e como" estimulou a reflexão! Na verdade, todos temos essa vida de opções e vivemos nos escondendo, não querendo enxergar as consequências dessas opções. Mesmo assim, ainda temos, e a cada nova situação, novas opções !!! O problema é só se ficarmos pensando demais para tomá-las. E ae, vc tá bem, mano? Abraço.
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