Acabo de ler um livro a respeito da aleatoriedade e de sua influência em nossas vidas. O livro se chama O andar do bêbado e eu recomendo a todos; ele é capaz de, no mínimo, te fazer pensar e, quiçá, mudar sua visão de mundo.
Pra ser sincero, minha mente determinista não permite que eu acredite que de fato exista alguma coisa aleatória no mundo. O argumento é muito simples e lógico: cada ação leva a um efeito, que levará a outra ação, e assim por diante, ou seja, as coisas não acontecem de forma independente, são influenciadas por outras anteriores e influenciarão as posteriores.
Se você leu com atenção os dois parágrafos anteriores, certamente notou a contradição que há entre eles. Eis a explicação: a não existência do acaso é algo apenas teórico, não pode ser considerado na prática. No mundo real, o número de variáveis interferindo em qualquer evento é tão alto que não há como controlá-las ou prever suas influências. Por isso temos algo como uma "sensação de acaso", mas que, em termos práticos, pode muito bem ser chamada de acaso mesmo.
Ele age sempre da mesma forma, mas a nossa interpretação dos resultados depende de como eles se apresentam. Não há padrões, já que estamos falando de acaso, porém a mente humana foi projetada para procurar por eles. E os encontra. Nesse momento é que surgem os problemas: enxergamos algo que, na verdade, não existe e atribuímos valores a isso. Exemplo: seu time perdeu as últimas três partidas. É provável que você considere que ele está numa fase ruim. Porém, a não ser que ele tenha jogado contra times de cones ou de orangotangos, é certo que três derrotas seguidas são perfeitamente possíveis na série de eventos aleatórios que são as partidas de um campeonato. Então, na realidade, não se trata de uma fase ruim, mas do desempenho normal do time.
Realmente, a má interpretação dos resultados da ação do acaso é algo tão frequente e relevante que teve, no mínimo, um livro inteiro a respeito, como citei no início. Portanto, eu não pretendia nestas poucas linhas esclarecer muita coisa sobre o assunto, apenas estimular a reflexão. Todavia, devido a sua importância, e por ser algo bastante presente em meus pensamentos, é provável que eu volte a escrever sobre aleatoriedade e determinismo no futuro.
Abraço a todos
domingo, 4 de abril de 2010
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
Vitor, é complicado dizer "foi por acaso", não resolve nada e a própria ciência procura acabar com o acaso, tentando dar explicação para tudo e quando não consegue... explica como probabilidade!!! É como a ciência, existe também para acabar com esse conceito, portanto, se formos pelo conceito puro da ciência, o acaso não existe e o que existe é que não se sabe explicar cientificamente essas questões... se o acaso não existe, então o que determina essas coisas? Acho que por chamar há tanto tempo de ACASO A CAUSA DESCONHECIDA, as pessoas começam a esquecer de que se fez uma substituição e para muitos, a suposição de que "acaso" é igual a causa desconhecida, veio a significar que "acaso" é igual a "causa"...Mas não é?... Enfim, lendo o seu texto acho que talvez acaso seja realmente algo somente relacionado ao homem, porque no resto, toda causa tem uma consequência e toda consequência teve uma causa anterior, como vc relatou. Até mais, Vitor. Adoro você. Beijo.
Postar um comentário