Hoje é dia de eleições e isso traz novamente às conversas assuntos que só são tratados nesses períodos. Um deles é sobre o que muitos dizem ser a maior conquista da democracia, o "direito ao voto". Esse é um papo que me incomoda já na hora que começa: como se pode dizer que tenho direito a algo que sou obrigado a fazer ou vou sofrer graves punições? Não, votar não é um direito, é um dever, tanto quanto servir ao exército (para nós homens) ou pagar o imposto de renda.
Tudo bem, eu concordo que seja um dever diferente, que nos dá um certo poder de decisão sobre as coisas públicas. Só que obrigar as pessoas a votarem gera vários problemas. Quantas vezes você já não ouviu alguém falar algo como "por mim, eu não votaria, mas, como sou obrigado, vou votar em tal candidato"? Alguém assim não vai se preocupar em pesquisar sobre esse tal candidato, vai votar com base em propagandas ou na opinião de outros. Isso facilita a ocorrência de bizarrices, como a eleição de candidatos artistas e atletas falidos, que se utilizam da fama que obtiveram em suas carreiras pra conseguir um emprego mais estável e rentável, por assim dizer. Creio que a não obrigação de votar, no mínimo, diminuiria o número de casos desse tipo. Também é possível pensar numa melhora geral na política por outro motivo: cada candidato, para ganhar seus votos, precisaria mais do que convencer as pessoas a digitarem seu número na urna, teria que lhes dar motivo pra saírem do conforto de suas casas e irem a um lugar só pra votar nele. Posso estar errado, mas acho isso uma diferença considerável.
Mas tudo isso que falei é muito especulativo e, talvez, até utópico. Pra finalizar, vou ser mais direto e prático: votar nulo ou em branco tem o mesmo resultado que teria nem ir votar, então por que não desobrigar de uma vez?
Torço pra que, num futuro próximo, possamos realmente conversar sobre o direito ao voto.
Um abraço a todos
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2 comentários:
Saudações, meu caro. Há tempos não vejo seus textos por estas paragens.
Bom, sobre o dito cujo, é sim um direito. Um direito exercido por livre e expontânea pressão.
Se não fosse obrigatório, as urnas seriam tão frequentadas quanto são as missas e cultos por nós, céticos.
Muito bom o post, no entanto deixo algumas perguntas:
- Se o voto fosse facultativo quais seriam as pessoas que teriam interesse em ir votar?
- Se nestas eleições não fosse obrigatório votar qual candidato teria ganhado?
E em relação a esse trecho "cada candidato, para ganhar seus votos, precisaria mais do que convencer as pessoas a digitarem seu número na urna, teria que lhes dar motivo pra saírem do conforto de suas casas e irem a um lugar só pra votar nele":
- Quais "motivos" você acha que os candidatos dariam aos eleitores para sair de casa e ir votar?
Analisando por esse ângulo não creio que essa mudança traria grandes melhorias para a maioria na atualidade.
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